Agesul e Prefeitura de Campo Grande formalizaram um novo passo para destravar uma obra aguardada há anos na região das Moreninhas. O governo estadual confirmou repasse de R$ 5.595.780,88 para custear desapropriações necessárias ao projeto.
O valor foi destinado exclusivamente às indenizações de imóveis atingidos pelo traçado do novo acesso entre a Avenida Alto da Serra e a Rua Salomão Abdala. O extrato do convênio foi publicado nesta quinta-feira, 25 de junho.
A medida recoloca em movimento uma intervenção considerada estratégica para a mobilidade da zona sul da Capital. Hoje, moradores dependem sobretudo da Avenida Gury Marques para entrar e sair do bairro.
O que este artigo aborda:
- Novo acesso às Moreninhas avança com verba estadual
- Por que a obra ficou travada desde 2023
- Impacto direto na mobilidade da região sul
- O que se sabe sobre os próximos passos
- Leitura política e urbana do repasse
Novo acesso às Moreninhas avança com verba estadual
Segundo reportagem publicada nesta quinta-feira, o repasse de R$ 5,59 milhões foi formalizado pela Agesul e pela Prefeitura de Campo Grande após assinatura do convênio na terça-feira, 24 de junho.
Na prática, o dinheiro estadual não poderá ser usado em pavimentação, drenagem ou recapeamento. O foco exclusivo será a indenização de proprietários das áreas particulares que precisam ser liberadas.
A condução dos processos administrativos ficará com a prefeitura. Caberá ao município negociar, instruir os procedimentos e efetuar os pagamentos aos donos dos imóveis afetados pela abertura da nova ligação viária.
O convênio tem vigência de 12 meses, com possibilidade de prorrogação. Mesmo assim, o extrato não detalha quantos imóveis serão desapropriados nesta fase nem quando os pagamentos começarão.
- Valor do repasse: R$ 5.595.780,88
- Órgão estadual: Agesul
- Município responsável pela execução: Prefeitura de Campo Grande
- Prazo inicial do convênio: 12 meses
Por que a obra ficou travada desde 2023
O principal impasse não estava no projeto de engenharia, mas na liberação fundiária. Sem a posse das áreas privadas, o trecho final da obra permaneceu parado, mesmo com parte da infraestrutura já executada.
Em janeiro de 2023, a prefeitura declarou de utilidade pública 52 imóveis localizados principalmente na Rua Salomão Abdala, no Bairro Itamaracá, e em ruas próximas do Jardim Campo Alto.
Desde então, moradores relatam indefinição sobre valores, prazos e extensão das perdas. Em alguns casos, a desapropriação seria total. Em outros, apenas uma parte do terreno precisaria ser incorporada à nova via.
O histórico de judicialização também pesou. Proprietários atingidos em etapas anteriores questionaram indenizações, alegando subavaliação dos lotes e pedindo revisão dos valores pagos pelo poder público.
Esse cenário ajuda a explicar por que uma intervenção anunciada em 2020 ainda não chegou ao desfecho esperado. Sem consenso fundiário, a obra avançou em partes, mas não conseguiu concluir a conexão prometida.
- O projeto foi anunciado em 2020.
- As obras começaram em 2022.
- As desapropriações ganharam peso em 2023.
- O processo administrativo seguiu em tramitação em 2025.
- O repasse estadual foi formalizado em 25 de junho de 2026.
Impacto direto na mobilidade da região sul
O novo acesso é tratado como uma das obras mais sensíveis para o tráfego nas Moreninhas. A proposta é criar uma ligação mais curta entre bairros populosos e corredores viários importantes de Campo Grande.
Com a conclusão, a conexão deve unir a Avenida Alto da Serra à Rua Salomão Abdala e ampliar a integração com avenidas como Guaicurus, Rita Vieira e Eduardo Elias Zahran.
Na avaliação do governo estadual, o acesso às Moreninhas integra um pacote mais amplo de intervenções para concluir a pavimentação da região e melhorar a circulação entre bairros da zona sul.
Hoje, quem precisa alcançar a Avenida Guaicurus costuma percorrer um trajeto maior, passando por eixos já pressionados pelo fluxo diário. A nova saída pode redistribuir parte desse movimento.
O efeito esperado é duplo: encurtar distâncias e reduzir gargalos locais. Ainda assim, a eficácia da intervenção dependerá da velocidade da prefeitura para concluir as desapropriações pendentes.
O que se sabe sobre os próximos passos
O extrato oficial confirma o dinheiro, mas ainda deixa perguntas em aberto. Não há, até o momento, cronograma público com datas para pagamento das indenizações ou retomada física do trecho travado.
Também não foram divulgados os nomes dos proprietários que serão indenizados nesta etapa. Esse ponto é sensível porque afeta diretamente moradores que convivem há anos com incerteza jurídica e urbanística.
No contexto urbano de Campo Grande, o caso mostra como obras viárias dependem menos da execução do asfalto e mais da solução prévia sobre domínio, avaliação e liberação de terras.
No Diário Oficial do Estado de 23 de junho, a administração estadual também registrou atos formais ligados à gestão pública e à execução de políticas em Mato Grosso do Sul, reforçando o uso do DOE como base legal dos repasses.
- A verba já foi formalizada.
- O município ainda precisa executar os procedimentos administrativos.
- O número exato de imóveis desta etapa não foi informado.
- Não há data pública para retomada total da obra.
Leitura política e urbana do repasse
O movimento do Estado reduz a pressão sobre a prefeitura no ponto mais caro e conflituoso do projeto: a indenização. Ao mesmo tempo, transfere ao município a responsabilidade de transformar recurso em solução prática.
Para a população das Moreninhas, o anúncio tem peso concreto apenas se vier acompanhado de calendário, transparência e conclusão do trecho pendente. Sem isso, o repasse pode virar só mais um capítulo burocrático.
Por enquanto, o fato novo é objetivo: há dinheiro reservado, convênio assinado e base oficial publicada em 25 de junho de 2026. O que falta agora é a etapa que mais demora em obras urbanas: sair do papel.
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